tempo de oportunidades

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sexta-feira, maio 20, 2016

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Nostalgia de um belo tempo

Fonte: conceicao-da-barra.blogspot.com (Antiga Vila de Itaúnas)


Por Célio Barcellos

Lembrar do princípio é sempre bom para prosseguir. Mas prosseguir com humildade, simplicidade, respeito e muita saudade do bem outrora vivido. Lembro-me com saudade da minha pequena Itaúnas, uma bucólica Vila, no litoral norte capixaba, onde numa casinha de pau-a-pique morávamos vovó, vovô e eu. Pela manhã ao acordar, os pés tocavam o assoalho de madeira, vindo da antiga Vila, da casa da tia Ortiz e do Luiz italiano.



Viver em Itaúnas, era muito mágico. A simplicidade de minha casa coincida com a simplicidade da Vila. Mesmo os mais abastados, de sobrenomes fortes, como Vasconcelos, Maia, Cabral... se relacionavam com todos, como se fossem parentes. E muitos de fato o eram. Havia até mesmo, no sertão de Itaúnas, um local chamado “Comercinho dos Parentes”. Lá pelas bandas da “Estiva” e do “Córrego Grande”...

Cresci ouvindo histórias, sobre Duca Tora, Manoel Velho, Antônio Colodiano, os irmãos Corsani – italianos que se fixaram no “Córrego Grande” e muitos outros. Foi maravilhoso ter em meus avós, Vlademira e João Pequeno, os meus primeiros educadores. Criaram-me com dedicação, pois, a minha mamãe, dona Adocélia, se fazia sempre presente, mas sem a devida condição.

Minha mãe Adocélia está com a sacola na mão, a outra é minha tia Eva (já falecida) e a criança é a prima Ideleide.


Que saudades! Saudades do fogão a lenha, da comida simples, porém preparada com muito carinho. Dos peixes e milhos assados, das batatas doces e aipins, das talhas de barro – despositárias de águas sempre refrescantes. Era tudo muito rústico, porém, indispensável.

O meu quintal, nem se fala! Que saudades! A terra – uma mistura branca com grafite – tinha pé de amora e coqueiros, era onde me lambuzava e recebia os amigos, inclusive as filhas do Barão – Sim! Do “Tião do Barão”. Esse era o apelido do Sebastião, filho do seu Kidinho e dona Zizinha. Homem empreendedor, visionário, que já no início dos anos 80, possuia, restaurante, pousada, padaria e começara a construir um supermercado. Pena que o Tião partiu para a capital, e nunca mais o vimos.

Debaixo dessas Dunas está a Antiga Vila.



Para a escola eu seguia sempre com o incentivo da vovó, que apesar de iletrada, deu o seu melhor por minha educação. Lá, na Benônio Falcão de Gouveia, escola que leva o nome do combatente que aos três meses de casado, foi convocado para a Segunda Guerra, e na Itália, ferido de morte partiu, deixando viúva, a jovem Florbina Thimboiba Bonelá, que nunca mais se casou e que somente honrou o valente itaunense que da Vila serviu lá.

Muitas lembranças... muitas saudades... de um lugar encantador.

Fonte:www.anave.tur.br (atual Vila de Itaúnas)


Lembro-me com carinho das professoras Dulce e Terezão. A primeira me ensinou a ler com precisão, enquanto a outra, cuidou da disciplina. Claro, com uma régua assustadora, mas com recomendações vindas de casa, devido às malcriações.

Da casinha de pau-a-pique, após o almoço em direção ao rio eu partia, carregando louças na bacia. Relutante eu ia não por vergonha, mas por preguiça mesmo. Tinha sempre a companhia da Gildete, conhecida como Cida, filha do falecido Gilbertinho, exímio carpinteiro da Vila. Na beira do rio era muito divertido. Enquanto ariávamos as panelas recheadas de carvão, Cida e eu, cantávamos e ríamos à vontade cheios de alegria e inocência de meninos.

Rio Itaúnas


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